Bruxelles, le 29 juin 2026 - 21:16:28
 
François Vieira
PhotoJournaliste accrédité* UE
*1999 - 2024
Membre du Syndicat des Journalistes à Lisbonne
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PRÉSENTE

António Manuel Pereira da Costa Pinto*
*Lic. Ciências Sociais - Sociologia - Educação Física e Desporto
*Lic. Sciences sociales - Sociologie - Éducation Physique et Sports
*Credenciado - Accrédité : UE
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"REFLEXÕES
SOBRE A EUTANÁSIA"
O debate sobre a "eutanásia", tem emergido de quando em vez com uma certa acutilância no seio da sociedade, sobretudo em países onde a opinião pública tem sido confrontada com esta temática, levando a população por vezes a ser exposta ao debate emergente, sem estar devidamente informada ou esclarecida.
Literalmente, o termo "eutanásia", proveniente do grego, quer dizer "boa morte" e significa procurar intencionalmente e no seu interesse, a morte de um sujeito cuja qualidade de vida esteja comprometida por uma doença ou condição psíquica.
Foi o filósofo Inglês Francis Bacon que em 1605 introduziu o termo "eutanásia" nas línguas modernas ocidentais através do livro "Progresso do Conhecimento". Neste livro, Bacon, convidava os médicos a não abandonarem os doentes crónicos e pedia-lhes ainda, que os ajudassem a sofrer o menos possível.
Não existia de forma alguma em Bacon a ideia ou conceito explícito de "dar a morte". Ao contrário, a ideia subjacente de "boa morte", era de tudo fazer para evitar que esta fosse precedida de atroz sofrimento.
No juramento de Hipócrates de 420 A.C. lê-se: "Não administrarei a pessoa, mesmo se for pedido , um fármaco mortal, nem darei tal conselho: similarmente a nenhuma senhora darei um fármaco abortivo".
Deve-se contudo salientar que no mundo clássico pré-cristão, em determinadas condições, o suicídio, bem como a assistência ao mesmo, era então, considerado um acto eticamente aceitável e digno de respeito, sendo apontados como exemplos os suicídios de Sócrates e de Séneca.
No Antigo Testamento, é citado o caso do suicídio assistido de Saúl (II Samuel 1,6-10): um soldado matou Saúl a seu pedido. Posteriormente David condenou o soldado à morte pelo acto praticado.
A posição ética actual inspirada na Bíblia, reside no princípio da inviabilidade da vida, na dignidade de cada pessoa enquanto criatura à imagem e semelhança de Deus.
A "Eutanásia pode ser dividida em :
1- "Eutanásia" Activa : quando a morte é provocada pela administração de um fármaco ;
2- "Eutanásia" Passiva : quando ocorre a interrupção ou omissão do tratamento médico necessário à sobrevivência do sujeito ;
3- "Eutanásia Voluntária : quando segue explicitamente o pedido do sujeito. Esta é possível, quando o sujeito é capaz de entender e de querer, ou quando foi anteriormente explicitado junto das autoridades competentes ;
4- "Eutanásia Involuntária : quando é uma outra pessoa, por vezes previamente designada, a decidir por conta do sujeito, em virtude do estado de consciência deste o ter tornado incapaz de poder decidir plenamente entre a vida e a morte, como é o caso da "eutanásia" infantil ou no caso de incapacidade mental ;
5- "O Suicídio Assistido" : é uma forma de "eutanásia" activa e voluntária na qual são fornecidas ao suicida, os meios e competências para por fim à vida.
Argumentos a favor e contra a "Eutanásia" :
1- A favor :
a) A liberdade : é um direito fundamental e um princípio democrático. A ideia que o cidadão seja livre na sua opinião e no seu voto pressupõe que ele seja soberano na sua esfera privada ;
b) A qualidade de vida : A dor e o sofrimento que uma pessoa pode sentir durante uma doença pode ser insuportável e incompreensível para pessoas que por tal nunca tenham passado ;
c) A dignidade : A pessoa não suporta sentir a definhar-se e prefere a morte.
2- Contra :
a) Juramento de Hipócrates ;
b) Moral : para muitas pessoas, a "eutanásia" é moralmente inaceitável;
c) Teológico : muitas religiões e interpretações religiosas consideram a "eutanásia" como algo que vai contra os seus princípios fundamentais ;
d) Necessidade : a crença que é sempre possível encontrar a cura para a doença;
e) O desejo da família : esta deseja sempre(ou quase) passar o mais tempo possível com o doente ;
f) Pressão : todos os argumentos a favor da "eutanásia" podem ser utilizados pelo pessoal hospitalar para exercerem pressão sobre o doente terminal a fim que este consinta a "eutanásia" ;
g) Jurídico : quando a "eutanásia" não está contemplada na lei, incorre-se em situações de índole jurídico/penal graves, quando a tal se recorre.
Poder-se-á acrescentar que existem também posições que embora favoráveis à "eutanásia", a defendem de maneira diferente. Uma corrente que defende a Legalização e, uma outra, que advoga a Despenalização. A primeira defende um quadro jurídico regulamentar onde esteja claro o como, o quem e, o porquê, relembrando que a segunda é passível de actuação discricionária por parte do corpo médico.
Legislação sobre Eutanásia em vários Países :
Bélgica : Desde 16 de Maio de 2002 está em vigor uma lei que regulamenta a Eutanásia ;
Dinamarca : Os familiares podem autorizar a interrupção da medicamentação e assistência ;
Luxemburgo : Em 19/02/2008 o parlamento aprovou uma lei que elimina as sanções contra o corpo médico que a pedido metem fim à vida do doente incurável ;
Holanda : Depois do 01/04/2002 vigora uma lei que regulamenta a Eutanásia. Foi o país pioneiro nesta matéria a nível mundial ;
Suécia : A Eutanásia não é perseguida criminalmente ;
Suiça : É previsto o suicídio assistido ;
Nos EUA, Canada e Austrália, existem certos estados onde é possível tal prática, enquanto que na China e Colômbia é permitida em doentes em fase terminal.
Em conclusão, pode dizer-se que não é fácil dirimir este antagonismo e nem é esse o nosso propósito.
Dever-se-á deixar em vida um paciente, depois de se constatar que a medicina não encontra solução para o seu sofrimento, e a seu pedido, quer por cobro à sua existência ?
Ou, estar de acordo com a doutrina da Igreja, que independentemente do sofrimento defende a inviabilidade da vida ?
A terminar, e segundo Bacon, "O conhecimento humano, por sua natureza peculiar, facilmente admite existir um grau de ordem e regularidade nas coisas, maior do que realmente encontram... embora possam existir exemplos, extremamente convincentes e abundantes do contrário"
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